Mais que um mero poema

 

Mais Que Um Mero Poema


( Guilherme de Sá )

Parece estranho 
Sinto o mundo girando ao contrário 
Foi o amor que fugiu da sua casa 
E tudo se perdeu no tempo 

É triste e real 
Eu vejo gente se enfrentando 
Por um prato de comida 
Água é saliva 
Êxtase é alívio, traz o fim dos dias 

E enquanto muitos dormem, outros se contorcem 
É o frio que segue o rumo e com ele a sua sorte 

Você não viu? 
Quantas vezes já te alertaram 
Que a Terra vai sair de cartaz 
E com ela todos que atuaram? 

E nada muda, é sempre tão igual 
A vida segue a sina 
Mães enterram filhos, filhos perdem amigos 
Amigos matam primos 

Jogam os corpos nas margens dos rios contaminados 
por gigantes barcos 
Aquilo no retrato é sangue ou óleo negro? 

[refrão] 
Aqui jaz um coração que bateu na sua porta 
às 7 da manhã 
tá querendo sua atenção, pedindo uma esmola de um simples amanhã 
Faça uma criança, plante uma semente 
Escreva um livro e que ele ensine algo de bom 
A vida é mais que um mero poema 

Ela é real 
É pão e circo, veja 
A cada dose destilada, 
um acidente que alcooliza o ambiente 

Estraga qualquer face limpa 
De balada embalada vale tudo 
E as meninas 
Das barrigas tiram os filhos, 
calam seus meninos 

Selam seus destinos 
São apenas mais duas histórias destruídas 
Há tantas cores vivas caçando outras peles 
Movimentando a grife 

A moda agora é o humilhado engraxando seu sapato 
Em qualquer caso, é apenas mais um chato 

[refrão] 

E ainda que a velha mania de sair pela tangente 
Saia pela culatra 
O que se faz aqui, ainda se paga aqui 
Deus deu mais que ar, coração e lar 

Deu livre arbítrio 
E o que você faz? 
E o que você faz? 
Aqui jaz um coração